O que é ética?
Olá, vamos falar sobre algo pragmático aqui, ética e computação. Inegavelmente essas duas áreas são totalmente inseparáveis, uma vez que a própria ética vem atuar sobre a forma em que o indivíduo se relaciona com o meio e análises da bondade de seus atos.
Conforme a definição do dicionário online Michaelis, o termo diz respeito à reflexão sobre toda a essência que permeia os princípios e valores que compõem a moral, área que busca compreender o sentido por trás da vida humana e as “raízes” do bem e do mal. Vamos refletir sobre a história da ética, sua evolução pros dias atuais e concluir relacionando ética, computação e novos avanços.
Primórdios da ética.
Muitas vezes, ao se tratar de origem da ética, fala-se em Platão, Sócrates e Aristóteles, que estão na origem da filosofia grega. Sim, existem outros que foram contemporâneos e anteriores, também sendo importantes para evolução da filosofia, iremos nos prender a esses por serem aqueles que mais amplamente são divulgados.
-Sócrates, foi o primeiro a falar sobre ética, não deixou escritos, a maior parte do que se perdeu na história foi dita por seu aprendiz Platão. A moral é a parte culminante da filosofia Socrática que ensina a bem pensar para bem viver, seu filosofar é ético não apenas porque pretende conhecer o bem, porque através da refutação rechaça as falsas opiniões sobre o bem, mas porque transforma efetivamente a seus interlocutores. Não se trata de uma questão meramente teórica, mas uma questão prática, de como agir bem o que importa para um homem de bem é viver honestamente, sem cometer injustiças, nem mesmo em retribuição a uma injustiça recebida. A virtude adquire-se com a sabedoria ou, antes, com ela se identifica. Para Sócrates, grandeza moral e penetração especulativa, virtude e ciência, ignorância e vício são sinônimos: ser músico é o que sabe música, pedreiro o que sabe edificar, justo será o que sabe a justiça. Sócrates foi o fundador da ciência moral.
-Platão afirmava que a alma humana era divisível em três partes, uma delas é racional, a qual nos faz buscar o conhecimento, Platão entendia que uma pessoa só pode tomar decisões corretas quando a parte racional da sua alma fala mais alto quando nós somos guiados pelas nossas emoções ou pelo nosso desejo de sentir prazer, nós acabamos sendo precipitados e inconsequentes. Para Platão, o indivíduo ético é aquele que é capaz de governar a si mesmo, ou seja, é aquele que exercita a sua habilidade de autocontrole.
-Aristóteles desenvolveu uma reflexão ética perguntando-se sobre o fim último do ser humano. Para o quê tendemos? E respondeu: para a felicidade, todos nós buscamos a felicidade. E o que Aristóteles entende por felicidade? Uma atividade conforme a razão e realização do que há de mais característico do ser humano – e a virtude. Para Aristóteles a felicidade é a atividade da alma segundo sua virtude (excelência) e, tal virtude reside na sua atividade racional, a felicidade está ligada à atividade humana, sendo um tipo de atividade em conformidade com a “reta razão” e com a virtude Isso quer dizer que a vida virtuosa é racional.
Ética nos dias atuais e como se transformou nisso?
Nos dias de hoje, muitos citam a palavra “ética”, mas, quando perguntados, não conseguem explicá-la nem defini-la.
Em um primeiro momento a ética nos remete a norma, liberdade e responsabilidade, falar em ética significa falar de liberdade, pois não há sentido falar de norma ou de responsabilidade se não partimos da suposição de que o ser humano é realmente livre para agir, ou pode sê-lo.
Na atualidade a ética abrange uma vasta área, podendo estar correlacionada com temas ligados ao ambiente familiar, escolar, profissional, econômico, social e político, existem códigos de ética profissional que indicam como o indivíduo deve se comportar no âmbito da sua profissão.
Nos dias atuais, com um mundo cada vez mais globalizado e competitivo, as pessoas preocupam-se com a ética nos seus negócios mostrando-se cada vez mais eficazes para competir com sucesso e obter resultados positivos.
De Sócrates, o primeiro citado no texto, que estava na Grécia Antiga, até a Ética atual, muito cresceu e evoluiu, assim como a sociedade. De fato, a ética tem acompanhado e se modificado nessa sociedade por tempos enormes e formas distintas, a depender da complexidade do problema social vigente, complexidade de perguntas e respostas anteriores. Podemos citar momentos de evolução da ética:
1)Na antiguidade, Grécia antiga: Sócrates, Platão e Aristóteles;
2)Na Idade Média, que foi dominada pelo catolicismo na Europa Ocidental, pautando uma ética vinculada com a religião e dogmas cristãos, dominando o panorama conceitual entre o século XI e XIX;
3)A ética moderna. Entre os séculos XVI e XVIII, as discussões éticas estiveram centralizadas no embate entre racionalismo e empirismo;
4)A ética contemporânea. Ao separar o conhecimento da religião, no século XVIII, o iluminismo inaugurou uma releitura da ética, estabelecendo críticas que voltaram a centralizar o foco na razão, apostando na autonomia humana e na crença otimista no progresso.
A ética na tecnologia pode ser vista em múltiplas perspectivas.
Os padrões éticos são construídos a partir de concepções sociais nas quais devem ser considerados o tempo e espaço em que determinados eventos estão inseridos. A tecnologia, que até aqui, facilitou a vida da sociedade e acelerou sua evolução, trouxe também implicações prejudiciais que conflitam com questões éticas da sociedade atual. Preconceito, racismo, invasão de privacidade, experimentos com humanos e até mesmo riscos de vida já foram relacionados ao uso de algoritmos e avanços tecnológicos. Uma simples pesquisa na Internet já traz histórias que demonstram a fragilidade da tecnologia. A ética do desenvolvimento tecnológico se fundamenta numa existência mais longa e mais prazerosa. O prazer, no entanto, jamais é atingido numa atitude passiva. A tecnologia imposta, num sistema de acumulação de riqueza, perde seu significado ético, porque, de modo contraditório, gera um sofrimento infrene.
Na esfera do trabalho, o avanço tecnológico melhorou a qualidade de vida na medida em que diminuiu a dor corporal, reduziu a utilização da força física e com isto absorveu maiores contingentes humanos, facilitou o aprendizado, aproximou o homem a distância e reduziu as especulações esotéricas. No entanto, a tecnologia deu ensejo a emoções negativas, excluiu humanos não competitivos, por vezes diminui a criatividade humana, distanciou os homens na sua proximidade e aumentou o misticismo não religioso. Mas muitas vezes se confundem as distorções trazidas pela tecnologia com as incorreções de governos não democráticos.
Por Fim, a ética deve ser considerada e levada em conta, afinal, o julgamento de o que é ‘certo’ e ‘errado’ moralmente e eticamente falando, é a única coisa que garante o uso determinado do crescimento das tecnologia em busca de um ‘bem comum’ e não uma supervalorização dos recursos e mantimento de um status de opressão.